sexta-feira, 30/10/2026

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Tráfico na Penha gera mais de 40% da receita do CV em apenas um mês, aponta PF

A situação da internet no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, ganhou novos contornos com a Operação Backbone da Polícia Federal, que resultou na prisão de 20 pessoas, incluindo a mãe e…

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A situação da internet no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, ganhou novos contornos com a Operação Backbone da Polícia Federal, que resultou na prisão de 20 pessoas, incluindo a mãe e o irmão do rapper Oruam. As investigações revelaram um esquema de monopólio de internet operado pelo Comando Vermelho, onde traficantes armados cortam cabos e queimam caixas de distribuição de operadoras legítimas, forçando a população a contratar provedores autorizados pela facção.

As empresas que atuam na região precisam pagar uma tarifa mensal ao grupo criminoso, gerando uma significativa fonte de receita para a organização. Dados da PF indicam que, em um único mês, a cobrança pela internet chegou a representar mais de 40% da arrecadação do CV no Complexo da Penha. Para a comunidade, a situação é desesperadora, como relatou um morador que pediu para não ser identificado: “A gente se sente abandonado pelo poder público, sem acesso a serviços básicos que deveriam ser garantidos a todos.”

A mãe de Oruam, Márcia Gama Nepomuceno, e seu irmão, Lucas Santos Nepomuceno, foram alvos de mandados de prisão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal. Além deles, outras figuras importantes do tráfico e até um vereador foram presos na operação, que se estendeu por diversas cidades fluminenses, com o cumprimento de 23 mandados de prisão e 24 de busca e apreensão.

A PF também bloqueou bens e valores que podem chegar a R$ 558 milhões, visando desarticular a rede de provedores que operam sob a supervisão do tráfico. A expectativa é que as ações não apenas interrompam o monopólio, mas que também assegurem o acesso à internet de forma regular e segura para os moradores da região.

As investigações apontam que o controle do tráfico sobre os serviços de internet se tornou uma das principais fontes de receita para a facção, transformando o que deveria ser um serviço público em uma ferramenta de opressão. Com isso, a guerra por território se intensifica, com cada comunidade dominada se tornando uma base de clientes cativos para o crime organizado.

Os acusados podem enfrentar graves consequências legais, incluindo extorsão e lavagem de dinheiro. A Operação Backbone faz parte da Força-Tarefa Missão Redentor II, que visa combater a atuação de organizações criminosas no Rio de Janeiro, em uma resposta necessária diante da crescente violência e do controle que o tráfico exerce sobre a vida dos moradores das comunidades.