sexta-feira, 30/10/2026

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Aumento de mais de 2.100% nos casos de stalking é registrado no RJ em cinco anos, revela Tribunal de Justiça

Nos últimos anos, o Rio de Janeiro tem enfrentado um alarmante aumento de casos de stalking, um crime que se caracteriza pela perseguição insistente e ameaçadora a uma pessoa, impactando sua vida cotidiana. De…

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Nos últimos anos, o Rio de Janeiro tem enfrentado um alarmante aumento de casos de stalking, um crime que se caracteriza pela perseguição insistente e ameaçadora a uma pessoa, impactando sua vida cotidiana. De acordo com dados recentes do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), o número de processos relacionados a essa prática cresceu mais de 2.151% nos últimos cinco anos, passando de 337 ações em 2021 para impressionantes 7.584 até setembro de 2026.

Esse fenômeno não se restringe a um simples incômodo; ele afeta diretamente a liberdade, privacidade e integridade das vítimas. A juíza Luciana Fiala de Siqueira Carvalho, que atua no V Juizado de Violência Doméstica e Familiar, explica que o stalking pode ocorrer tanto no mundo físico quanto no digital, sem a necessidade de um relacionamento anterior entre vítima e agressor. A repetição das abordagens é a chave para caracterizar o crime, que pode causar sérios danos psicológicos.

A prática de stalking pode envolver até mesmo o uso de tecnologias, como câmeras escondidas e monitoramento de redes sociais. Um caso exemplificado pela juíza ilustra a gravidade da situação: um homem instalou uma câmera no elevador do prédio onde a vítima morava, observando-a e fazendo comentários sobre suas roupas e deslocamentos. A presença constante e indesejada pode levar a vítima a evitar sair de casa, gerando um intenso estado de medo e ansiedade.

Para quem se encontra nessa situação, é essencial saber como agir. A primeira orientação é deixar claro que não deseja mais contato. Caso as abordagens persistam, é importante documentar tudo: mensagens, ligações e até testemunhos de vizinhos podem ajudar na construção do caso. A polícia deve ser acionada, especialmente em situações de risco, onde o telefone 190 deve ser utilizado.

As medidas protetivas de urgência podem ser uma saída importante para garantir a segurança da vítima, estabelecendo restrições ao agressor em relação a contatos e aproximações. No entanto, é comum que alguns perseguidores tentem contornar essas restrições, o que deve ser imediatamente comunicado às autoridades.

Se você ou alguém que conhece está enfrentando uma situação de stalking, diversas instituições estão disponíveis para oferecer apoio. A Defensoria Pública, os Centros Integrados de Atendimento à Mulher e os Centros de Referência Especializados de Assistência Social são alguns dos serviços que podem auxiliar, oferecendo acolhimento e orientação jurídica.

A juíza destaca que o aumento dos registros de stalking também pode ser atribuído a um maior acesso à informação, que tem permitido que as vítimas reconheçam comportamentos abusivos e busquem ajuda. “Informação é poder”, afirma Luciana, ressaltando a importância de saber que existem direitos e medidas de proteção disponíveis para quem se sente ameaçado.

Crédito da imagem: Stalking