A votação do segundo turno das eleições no Rio de Janeiro, que aconteceu recentemente, se desenrolou de maneira tranquila durante a maior parte do dia, sem filas nas seções eleitorais. No entanto, a prorrogação do horário de votação, decidida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), causou confusão e deixou muitos eleitores sem a oportunidade de exercer seu direito ao voto.
A medida foi anunciada às 17h01, um minuto após o horário normal de encerramento, em resposta a solicitações das campanhas dos candidatos à Presidência. Contudo, essa prorrogação se aplicou apenas às seções onde as urnas ainda estavam abertas. Como resultado, muitos eleitores que se dirigiram a locais onde a votação já havia sido finalizada acabaram se deparando com portas fechadas e perderam a chance de votar, mesmo apresentando a decisão judicial.
Em números, cerca de 35 mil votos foram computados após as 17h, mas essa vantagem não foi suficiente para alterar o resultado nacional, onde Luiz Inácio Lula da Silva superou Flávio Bolsonaro por 4,4 milhões de votos. No total, 12.842.517 eleitores estavam aptos a participar da eleição no estado.
Algumas áreas, como Copacabana e Humaitá, tiveram relatos de mesários e equipes que começaram a desocupar as seções mesmo antes da prorrogação. Em Duque de Caxias, uma mãe e sua filha enfrentaram dificuldades para chegar ao local de votação, apenas para descobrir que a urna já havia sido fechada.
Além disso, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) provocou confusão adicional ao alterar os endereços de dois locais de votação no estado, uma mudança feita a menos de 24 horas da eleição devido a uma infestação de pulgas em Jardim Sulacap. Eleitores, como Larissa Prado, só ficaram sabendo da mudança ao chegarem ao antigo endereço. “Foi de última hora. Por sorte, o novo local era perto”, contou.
Em Brás de Pina, outra transferência surpreendeu cerca de 1,8 mil eleitores, que precisaram se deslocar para uma nova escola a mais de um quilômetro de distância. Embora houvesse avisos do TRE, muitos não estavam cientes da alteração.
Cabe destacar também as reclamações sobre o transporte público. Em São Gonçalo, eleitores enfrentaram dificuldades devido à falta de ônibus. André Luis Pereira de Melo, um segurança que dependia de uma única linha de ônibus, relatou ter esperado 40 minutos sem sucesso. Em resposta a essas reclamações, a Justiça Eleitoral ordenou que as empresas de transporte colocassem toda a frota nas ruas e que a prefeitura garantisse a fiscalização do cumprimento dessa medida.



