sexta-feira, 30/10/2026

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Pacientes no Rio aguardam há quase dois anos por próteses na rede municipal de saúde

Pacientes amputados que buscam reabilitação em centros públicos do Rio de Janeiro estão enfrentando uma situação angustiante: a longa espera por próteses que podem devolver a autonomia e a qualidade de vida. No Centro…

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Pacientes amputados que buscam reabilitação em centros públicos do Rio de Janeiro estão enfrentando uma situação angustiante: a longa espera por próteses que podem devolver a autonomia e a qualidade de vida. No Centro Municipal de Reabilitação Oscar Clark, localizado no Maracanã, na Zona Norte, relatos de espera que se estendem por quase dois anos são comuns entre os pacientes.

Leandro Lúcio de Souza Pinho é um dos que aguardam ansiosamente pelo equipamento. “Estou esperando desde 24 de novembro de 2024”, disse ele, expressando a frustração de quem precisa da prótese para retomar atividades cotidianas. A situação se agrava quando se considera que, em junho, a Prefeitura do Rio reconheceu a responsabilidade da Associação Brasileira Beneficente de Reabilitação (ABBR) pela confecção das próteses. Contudo, um rompimento contratual e a falta de informações claras deixaram muitos sem esperança.

Rodrigo Pereira, outro paciente em busca da sua prótese, destaca a falta de respostas concretas. “Dizem que está em processo de licitação e que temos que aguardar, mas o que realmente queremos é a prótese, a nossa independência”, desabafa. A Secretaria Municipal de Saúde, após o impasse, decidiu abrir uma nova licitação, mas até agora não houve avanço significativo na entrega dos equipamentos.

A espera por uma prótese não é um problema isolado. Para lidar com essa situação desconfortável, um grupo de apoio foi formado por cerca de 50 pacientes no Centro Municipal de Reabilitação Oscar Clark. Cada um deles carrega uma história de luta e adaptação após a amputação. Leandro, por exemplo, teve que mudar sua residência para um local sem escadas, e Marco Antônio Lima, que também perdeu a perna devido a complicações de saúde, enfrenta desafios emocionais e físicos no dia a dia.

Marco expressa a frustração de não poder trabalhar, algo que sempre foi parte de sua vida. “É frustrante porque sempre trabalhei e agora dependo de ajuda”, afirma. Sua esposa, Jaqueline, compartilha da mesma dificuldade, já que é ela quem o acompanha às consultas e ajuda na locomoção.

A situação dos pacientes se agrava ainda mais para aqueles que precisam de uma nova prótese, pois a falta de equipamentos também impacta aqueles que estão no processo de substituição por conta do prazo de validade. Feliciano Gonçalves, atendido no Centro de Reabilitação Newton Bethlem, aguarda há quase um ano por uma prótese transfemoral e afirma que a espera atrasa sua reabilitação.

A ABBR, por sua vez, informou que está em contato com a Prefeitura do Rio para revisar os valores do contrato, ressaltando que aguarda a assinatura do novo contrato para a confecção das próteses. A esperança continua, mas, enquanto isso, os pacientes seguem lutando por sua dignidade e pelo direito de voltar a viver plenamente.