sexta-feira, 30/10/2026

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Clínicas de estética em Laranjeiras sob investigação: 32 inquéritos abertos e mais três mulheres registram queixas na delegacia

A situação das clínicas de estética em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, está gerando grande preocupação e mobilização. A Polícia Civil já instaurou 32 inquéritos para apurar irregularidades em duas unidades do Grupo…

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A situação das clínicas de estética em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, está gerando grande preocupação e mobilização. A Polícia Civil já instaurou 32 inquéritos para apurar irregularidades em duas unidades do Grupo Celita Toledo, após uma operação que resultou na interdição de três salas cirúrgicas. Desde então, mais mulheres têm se apresentado às autoridades, trazendo à tona relatos alarmantes sobre procedimentos realizados nessas clínicas.

A Delegacia Especial de Crimes contra o Consumidor se debruça sobre casos trágicos, incluindo a morte de três pacientes e a ocorrência de sequelas permanentes em outras mulheres. Para complicar ainda mais a situação, três prontuários de pacientes estão desaparecidos, o que levanta ainda mais dúvidas sobre a gestão e os cuidados oferecidos pelas clínicas.

As clínicas em questão, Ênio Serra e Laranjeiras Plastic Day, funcionam no mesmo local e, durante a operação, foram descobertos medicamentos vencidos. Duas funcionárias foram presas em flagrante: a enfermeira responsável pelo centro cirúrgico e a diretora administrativa. Ambas foram liberadas após o pagamento de fiança, mas a situação não parou por aí — na tarde da quarta-feira, um grupo de pacientes se reuniu em protesto em frente à clínica.

Quinze cirurgias estavam agendadas para o mesmo dia da operação e, com a interdição, os procedimentos foram cancelados. O delegado Wellington Vieira fez um apelo aos pacientes que já haviam efetuado o pagamento, orientando-os a buscar o setor administrativo para solicitar reembolso. “Essas cirurgias não vão mais acontecer”, enfatizou o delegado, referindo-se ao sistema de pagamento antecipado que é prática comum na clínica.

As investigações foram intensificadas após as mortes de Isabely dos Santos Viana, Jéssica Conceição da Cruz e Sandra Coutinho Caldas, cujos casos geraram comoção e indignação na comunidade. Mães e viúvos relataram o desespero e a angústia vividos durante os procedimentos e internações, destacando a falta de acompanhamento adequado.

Outro ponto crítico da investigação é a possível atuação de médicos sem a devida especialização em cirurgia plástica, incluindo estrangeiros e alunos em formação. O delegado Vieira apontou que em um dos casos fatais, um anestesista residente estava atuando sem supervisão adequada, o que é uma violação grave das normas de segurança na medicina.

As clínicas já enfrentaram fiscalizações de órgãos como o Conselho Regional de Medicina e Vigilância Sanitária nos últimos meses. Em resposta às denúncias, o Grupo Celita Toledo afirmou que está colaborando com as investigações e se comprometeu a respeitar os processos legais, mas ressaltou que não é o momento para tirar conclusões precipitadas.

A situação permanece em aberto, e a comunidade local observa atentamente o desenrolar das investigações, na esperança de que a verdade venha à tona e que medidas adequadas sejam tomadas para garantir a segurança dos pacientes.