sexta-feira, 30/10/2026

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Comerciantes do RJ enfrentam boicotes após as eleições, com listas circulando nas redes sociais

Em Teresópolis, a atmosfera política tem se tornado tensa após o surgimento de campanhas de boicote a comerciantes identificados como apoiadores do Partido dos Trabalhadores (PT). Publicações em redes sociais e grupos de mensagens…

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Em Teresópolis, a atmosfera política tem se tornado tensa após o surgimento de campanhas de boicote a comerciantes identificados como apoiadores do Partido dos Trabalhadores (PT). Publicações em redes sociais e grupos de mensagens têm incentivado consumidores a evitar estabelecimentos vinculados a essas supostas preferências políticas, gerando uma onda de repercussão que chegou à Câmara de Vereadores.

O deputado estadual Yuri Moura tomou a iniciativa de formalizar uma representação ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) e ao Ministério Público do Trabalho (MPT), solicitando investigação sobre possíveis atos de discriminação e perseguição política. O problema não se limita a Teresópolis, com casos semelhantes sendo reportados em cidades vizinhas como Petrópolis e Três Rios, onde grupos têm se organizado sob títulos provocativos como “Cachoeiras Consciente (não compre de petista)”.

A situação preocupa comerciantes locais, que temem as repercussões econômicas de serem listados como “petistas”. Um desses casos é o de Letícia Botelho, uma profissional de Educação Física que se viu citada em uma dessas listas. Ela relatou que um aluno decidiu deixar suas aulas devido a essa classificação, afirmando que essa prática é uma forma de incitação ao ódio e que pretende buscar reparação judicial.

A polarização política na região se intensificou após as eleições de 2026, onde Flávio Bolsonaro (PL) obteve uma expressiva vitória. Nesse clima, a circulação dessas listas tem gerado um clima de receio entre os comerciantes, que se sentem ameaçados por suas crenças políticas. Na Câmara, os vereadores expressaram sua preocupação com os impactos que essa situação pode ter sobre a liberdade de expressão e a convivência pacífica entre os cidadãos.

Além das ações de Yuri Moura, a representação também sugere que, caso sejam encontradas irregularidades, informações possam ser encaminhadas à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Enquanto isso, o Sindicato do Comércio Varejista de Teresópolis (Sincomércio) e a Prefeitura manifestaram repúdio às práticas denunciadas, reforçando a necessidade de proteger a liberdade de opinião.

O Ministério Público do Trabalho, que já recebeu mais de 400 denúncias relacionadas a casos semelhantes em todo o Brasil, afirma que todas serão investigadas. O órgão disponibiliza um canal para que vítimas registrem ocorrências em seu site oficial. A comunidade de Teresópolis aguarda ansiosa por uma resposta clara sobre a origem dessas listas e as possíveis implicações legais para os responsáveis por essa campanha de boicote.