Na manhã desta quinta-feira (15), a Polícia Federal deu um duro golpe na política local com a prisão de Márcio Canella, ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito com uma expressiva votação. Ele é acusado de ser um dos principais articuladores de uma complexa rede criminosa que, segundo a investigação, utilizava postos de combustíveis como fachada para a lavagem de dinheiro.
Os investigadores não poupam críticas ao papel de Canella, que teria atuado como elo entre o poder público e o setor privado, garantindo nomeações em cargos estratégicos e recebendo repasses suspeitos, conforme anotações encontradas na residência de um policial civil. Além dele, também foram detidos o ex-chefe da Polícia Civil, Marcus Amim, e outros quatro inspetores, todos envolvidos em um esquema que, segundo a Polícia Federal, tem ligações com milícias e facções criminosas, como o Comando Vermelho.
A defesa de Canella optou por não se manifestar até ter acesso total aos autos do processo. Contudo, os detalhes da investigação são alarmantes e revelam um emaranhado de relações que vão muito além da política, envolvendo até mesmo a manipulação de legislações para favorecer o grupo. O ex-prefeito é apontado como central na articulação política que permitiu a continuidade das atividades ilícitas do grupo, utilizando sua influência para proteger os envolvidos e facilitar a movimentação financeira clandestina.
Em documentos apreendidos, foram encontrados registros de pagamentos a Canella que somam valores consideráveis, indicando que ele teria recebido propinas significativas em troca de favores políticos. Somente em um desses registros, foram identificados repasses que totalizam R$ 51 mil, R$ 31 mil e R$ 57 mil sob o codinome “Amigo”. Todo esse dinheiro, segundo a PF, não possui justificativa clara de origem.
As investigações também revelam uma aproximação preocupante de Canella com o crime organizado. Conversas gravadas entre um policial militar e líderes do Comando Vermelho sugerem que havia um acordo para facilitar obras públicas em troca de controle territorial por parte dos traficantes. Além disso, Canella teria nomeado pessoas ligadas a milícias para cargos na administração municipal, reforçando ainda mais as suspeitas de que ele utilizava seu cargo para fortalecer vínculos com grupos criminosos.
O ex-prefeito já havia sido preso anteriormente, em julho, durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, quando um fuzil foi encontrado em seu carro. Naquela ocasião, foi liberado rapidamente, mas agora sua prisão é preventiva, indicando a gravidade das novas descobertas sobre sua atuação no esquema criminoso.
A população de Belford Roxo aguarda ansiosamente por mais desdobramentos desse caso que, se confirmado, poderá abalar as estruturas políticas da cidade e trazer à tona a complexa relação entre política e criminalidade que permeia a região.
Crédito da imagem: Foto: Pixabay — Melest (pixabay)



