Uma recente operação da Polícia Federal trouxe à tona um esquema envolvendo o ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro, Marcus Amim, em transações que chamam a atenção pela sua magnitude e complexidade. De acordo com as investigações, uma empresa de Amim e de sua esposa recebeu R$ 1,821 milhão de uma companhia suspeita, com pagamentos mensais que giravam em torno de R$ 70 mil. A operação, conhecida como Unha e Carne, levanta a suspeita de que uma consultoria fictícia estava sendo utilizada como fachada para pagamentos de proteção e influência.
Amim, que também já presidiu o Detran-RJ, foi preso na última quinta-feira (15), durante a oitava fase da operação. Juntamente com ele, o ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, e quatro inspetores da Polícia Civil também foram detidos. A defesa dos acusados optou por não se pronunciar até que tenham acesso completo aos autos do processo.
A PF aponta que a organização criminosa utilizava uma rede de postos de combustíveis para lavar dinheiro, contando com a proteção de agentes públicos. O esquema teria o ex-delegado como figura central, responsável por garantir a proteção institucional das atividades ilícitas. A investigação detalhou transferências financeiras significativas entre a ADM Oil Prestadora de Serviços e a Mamim Consultoria, empresa de Amim, reforçando a suspeita de que esses repasses eram, na verdade, pagamentos disfarçados pela proteção oferecida pelo delegado.
Um ponto crucial da investigação é a compra de uma luxuosa casa em Camboinhas, Niterói, que teve seu valor de R$ 3,28 milhões parcialmente financiado por um posto de combustíveis do grupo. O imóvel, localizado na Rua Doutor Damasceno Ferreira, foi adquirido de forma que levanta muitas questões sobre a origem dos recursos. A negociação, que se deu entre 2024 e 2025, incluiu pagamentos em espécie e transferências que não foram feitas diretamente por Amim, mas sim através do Posto Pendotiba, evidenciando uma possível tentativa de ocultar a verdadeira fonte do dinheiro.
A investigação não se limitou apenas à compra da casa. Mensagens trocadas entre Amim e um dos policiais civis envolvidos na operação indicam um suposto tratamento extraoficial de assuntos pessoais, bem como a troca de documentos e multas de trânsito. Além disso, ficou claro que Amim tinha participação oculta em uma empresa de combustíveis, a Gasmix Alcântara, que não constava formalmente como sua, mas nos registros estava em nome de outras pessoas.
O escopo da Operação Unha e Carne é amplo, com movimentação financeira que chega a R$ 7,6 bilhões entre 2020 e 2026. A ação recente resultou em seis prisões e 16 mandados de busca e apreensão em várias cidades fluminenses. O impacto dessa operação é significativo e pode resultar em mudanças profundas nas estruturas de poder e influência na segurança pública do Estado do Rio de Janeiro.
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