sexta-feira, 30/10/2026

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Imagens das câmeras corporais não registraram mortes em megaoperação, informam ONG e Defensoria

A megaoperação realizada no dia 28 de outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, deixou marcas profundas na comunidade, mas o que se viu…

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A megaoperação realizada no dia 28 de outubro de 2025 nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte do Rio de Janeiro, deixou marcas profundas na comunidade, mas o que se viu um ano depois foi a continuidade da rotina de medo e insegurança. De acordo com um relatório da Human Rights Watch (HRW), nenhuma das 117 mortes de civis registradas durante a ação foi filmada pelas câmeras corporais dos policiais, levantando sérias questões sobre a transparência e a condução da operação.

A Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro confirmou a conclusão da HRW, que identificou problemas graves, como a obstrução das câmeras em momentos críticos, como tiroteios, e a manipulação das gravações. Apesar de 527 policiais terem utilizado as câmeras, apenas 23% estavam efetivamente registrando as ações. O relatório aponta que, em 36% das situações em que disparos foram capturados, as lentes estavam obstruídas, o que levanta dúvidas sobre a responsabilidade e o uso da força policial.

Entre os 122 mortos, cinco eram policiais, mas a falta de registros das mortes de civis chocou a comunidade e especialistas em direitos humanos. Moradores da Penha, um ano após a operação, relatam que a situação não mudou e que a presença do tráfico continua forte. Um deles expressou a frustração com a falta de melhorias na área, afirmando que a operação não trouxe resultados concretos: “Fizeram esse alvoroço todo pra depois, no outro dia, tá a mesma coisa. Eles tão aí. E nós tamo aqui. Sabe? Vivendo, tentando.”

Outro morador lamentou a ausência de iniciativas do poder público para melhorar a vida na comunidade, especialmente em áreas fundamentais como a educação. A operação, que buscava prender membros do Comando Vermelho, acabou deixando um legado de desconfiança e insegurança entre os cidadãos, que se sentem estigmatizados e abandonados.

O alvo principal da operação, Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, permaneceu foragido, enquanto os moradores seguem lutando por um dia a dia mais seguro e digno em meio ao caos que se instaurou após a megaoperação.