Em meio ao caos do tráfico de drogas, a população de várias comunidades do Rio de Janeiro e da Região Metropolitana enfrenta um novo desafio: a falta de acesso à internet. As facções criminosas, que já dominam o tráfico de drogas, agora controlam também a oferta de serviços de telecomunicações, deixando moradores sem opções.
As investigações da Polícia Federal (PF), que levaram à Operação Backbone, revelam que traficantes armados têm atacado diretamente a infraestrutura das operadoras de internet regulares. Cortes de cabos e incêndios em caixas de distribuição se tornaram comuns, forçando os moradores a contratarem provedores associados ao tráfico, que cobram preços exorbitantes.
Moradores, temendo represálias, têm relatado a situação em diferentes pontos da cidade, como no Engenho da Rainha. Um comerciante da área descreve a expulsão das grandes operadoras: “Antes tínhamos várias opções, mas agora somos obrigados a usar a internet do tráfico. E mesmo assim, o serviço é precário”, lamentou.
A situação em bairros como Benfica também é alarmante, onde os pacotes de internet oferecidos pelos provedores do tráfico variam entre R$ 104 e R$ 154, dependendo da velocidade. Além disso, multas de R$ 20 são aplicadas para atrasos nos pagamentos. “Não temos escolha. Se quisermos internet, é essa que temos que aceitar”, desabafou um morador local.
A situação se agrava ainda mais em Itaboraí, onde moradores de bairros como São Joaquim e Três Pontes relatam aumentos significativos nas tarifas. “Eu pagava R$ 70, agora é R$ 120 por uma internet que não funciona direito”, contou um residente, evidenciando a falta de alternativas viáveis.
As autoridades têm agido, com operações da Polícia Militar e da Polícia Federal visando desmantelar esses esquemas de exploração. Em Vila Kennedy, na Zona Oeste, uma operação recente resultou na prisão de cinco pessoas e na apreensão de armas e drogas. Já em ações que contemplaram comunidades como o Alemão e a Penha, 20 pessoas foram detidas, incluindo figuras ligadas a facções criminosas.
A Conexis Brasil, que representa operadoras de telecomunicações, destacou que o bloqueio das equipes técnicas nas comunidades dificulta a manutenção dos serviços. A Polícia Militar e a Civil, por sua vez, reforçaram que estão atentas a essas práticas ilegais e incentivaram os moradores a denunciar os crimes.
A situação é um reflexo da luta diária de quem vive nessas comunidades, que não apenas enfrentam o tráfico de drogas, mas também a imposição de serviços de internet controlados por criminosos. A esperança é que ações mais eficazes possam restaurar a normalidade e garantir o direito à informação e à conectividade.



