A situação alarmante em uma clínica de cirurgias plásticas na Zona Sul do Rio de Janeiro levou a Polícia Civil a abrir um inquérito para investigar a morte de três mulheres e as graves complicações enfrentadas por outras pacientes. A investigação aponta para possíveis irregularidades nos procedimentos cirúrgicos, com indícios de que alunos de pós-graduação estariam realizando operações sem o conhecimento das pacientes.
Entre os casos mais trágicos, destaca-se o de Isabelle, uma técnica de enfermagem de 42 anos, que morreu durante uma cirurgia plástica no abdômen. Sua mãe recorda com dor o momento em que a filha se despediu, cheia de expectativa, apenas para não voltar mais. Segundo a família, o anestesista não possuía a formação adequada, o que levanta sérias questões sobre a segurança nos procedimentos realizados na clínica.
Outro caso chocante foi o de Jéssica, de 32 anos, que também não sobreviveu após complicações de uma cirurgia. O marido relata que a esposa, insatisfeita com um procedimento anterior, foi convencida a realizar uma técnica proibida e acabou enfrentando uma série de complicações que culminaram em sua morte após um longo período de internação.
A investigação da polícia se concentra em um convênio entre a clínica e instituições de ensino, onde alunos deveriam apenas observar as cirurgias. No entanto, existem suspeitas de que alguns desses alunos tenham praticado cirurgias sem a supervisão adequada, colocando a vida das pacientes em risco. Recentemente, um sócio da clínica e um médico sem registro no Brasil foram presos, mas logo liberados após prestarem depoimento.
As irregularidades não param por aí. O Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) encontrou diversas falhas na clínica, como a ausência de uma sala apropriada para recuperação pós-anestésica e a falta de anestesista durante os procedimentos. A Vigilância Sanitária também notificou a unidade por medicamentos vencidos e problemas na esterilização de materiais.
Enquanto isso, dezenas de pacientes relatam sequelas que afetam suas vidas diariamente. Adriane, uma professora, compartilha sua experiência de ter desenvolvido necrose após uma cirurgia, revelando que o cirurgião não tinha a habilitação necessária. Outras mulheres mencionam cicatrizes, assimetrias e resultados insatisfatórios, sugerindo que múltiplos profissionais podem ter operado durante os procedimentos.
Celita Toledo, proprietária da clínica, confirmou as mortes, mas negou que estudantes tenham realizado cirurgias. Ela afirma que os procedimentos são feitos por médicos devidamente registrados e que está colaborando com as investigações. Entretanto, a clínica segue funcionando, mesmo em meio às graves acusações.
Familiares das vítimas e pacientes que enfrentam sequelas clamam por justiça e medidas efetivas para que novos casos não ocorram. Uma das denunciantes expressou a indignação compartilhada: “Foram cobaias. Todas elas foram cobaias”.



