sexta-feira, 30/10/2026

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Possibilidade de prisão de Canella reaviva lembranças do caso dos cinco deputados do RJ em 2018

Em um cenário que remete a um passado recente de turbulências políticas no Rio de Janeiro, a prisão do deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil) reacende discussões sobre a legalidade e os procedimentos…

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Em um cenário que remete a um passado recente de turbulências políticas no Rio de Janeiro, a prisão do deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil) reacende discussões sobre a legalidade e os procedimentos para a posse de parlamentares. Canella foi detido na quinta-feira (15) pela Polícia Federal durante a Operação Unha e Carne, que investiga um esquema de lavagem de dinheiro, e a Justiça manteve sua prisão preventiva na sexta-feira (16).

O deputado, que teve uma expressiva votação de 197.178 votos nas eleições de 2026, agora enfrenta a incerteza de como poderá assumir seu mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) se continuar preso até fevereiro de 2027, início da nova legislatura. A situação é delicada e lembra o caso de cinco deputados que foram reeleitos e detidos em 2018, durante a Operação Furna da Onça.

Naquele ano, André Corrêa, Luiz Martins, Marcus Abrahão, Marcus Vinícius Neskau e Chiquinho da Mangueira foram presos sob suspeita de corrupção. A Alerj, mesmo diante dessa crise, buscou formas de garantir que os deputados fossem diplomados, permitindo que eles assumissem os mandatos através de procuração e levando o livro de posse até as unidades prisionais. Contudo, essa manobra foi contestada pelo Ministério Público e resultou em uma disputa judicial que se arrastou por meses.

Os desdobramentos daquele caso culminaram em 2020, quando os cinco conseguiram reassumir seus cargos. Hoje, com a prisão de Canella, o precedente da Furna da Onça levanta novamente questões sobre a legitimidade da posse de um deputado preso. Além disso, Canella está sob investigação em relação ao seu registro de candidatura, que foi contestado pelo Ministério Público Eleitoral, mas liberado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ).

A situação é complexa e pode resultar em novos embates judiciais, tanto na esfera criminal quanto na eleitoral. A prisão preventiva de Canella não implica automaticamente a perda do mandato ou a anulação dos votos recebidos, mas cria um clima de incerteza que pode afetar a confiança do eleitorado na Assembleia. O deputado, por sua vez, mantém a esperança de que a Justiça esclarecerá sua situação e reafirma a confiança no processo judicial.