Uma investigação da Polícia Federal trouxe à tona um esquema que envolve pagamentos substanciais ao posto de gasolina São Sebastião, localizado em Belford Roxo. Desde 2012, o estabelecimento recebeu mais de R$ 37 milhões da Prefeitura local, conforme revelaram as apurações. Este posto está ligado ao ex-prefeito e deputado estadual Márcio Canella, que foi preso na última operação da PF.
A Operação Unha e Carne, que resultou na detenção de Canella, não teve como alvo direto o posto de gasolina, mas a movimentação financeira observada pela polícia levanta suspeitas de que os recursos estariam sendo utilizados para ocultar valores. Os investigadores identificaram que o posto realizou mais de R$ 10 milhões em depósitos em dinheiro vivo, o que chamou a atenção do Coaf, órgão responsável pelo controle de atividades financeiras no Brasil.
Os contratos entre a prefeitura e o posto, que somam cerca de R$ 20 milhões, foram firmados em um contexto onde Canella ainda ocupava o cargo de prefeito. Um desses contratos foi assinado em 2025, quando Canella já havia renunciado para concorrer à Assembleia Legislativa. A transparência dos dados da prefeitura, no entanto, revela que o montante efetivamente pago é ainda maior do que o registrado em contratos, o que levanta questões sobre a gestão do dinheiro público na cidade.
Além disso, a conexão entre Canella e o proprietário do posto, Bruno Viana de Souza, é evidente, uma vez que ambos são sócios em uma outra empresa, a Brumar Empreendimentos. A investigação está focada em determinar se os recursos que saíram da prefeitura, sob a administração de Canella, foram parar no bolso de um sócio e, posteriormente, retornaram ao grupo político que controla a cidade.
A Prefeitura de Belford Roxo se manifestou afirmando que todos os contratos passarão por auditoria interna e que o posto é um prestador de serviços desde antes do governo de Canella. A administração também negou a existência de um depósito de R$ 50 mil para a prefeita Mariana Malta, esclarecendo que os valores se referem a reembolsos menores.
Até o fechamento desta matéria, a defesa de Márcio Canella e da prefeita Mariana Malta não havia retornado aos contatos feitos pela reportagem, e a defesa de Bruno Viana de Souza não foi localizada. A situação continua a ser acompanhada de perto, à medida que novos desdobramentos surgem nesta complexa trama de corrupção e desvio de recursos públicos.



